Já escrevi aqui alguns artigos sobre mentiras ou verdades mal contadas que nos “venderam” e que, finalmente com a era da informação e tecnologia se sabem ser apenas mentiras ou confusões. Falo de artigos como a mentira da gordura saturada ou o artigo sobre a pasteurização Leite, Milk, Milch. Cru. A história é feita de pessoas que quiseram por algum motivo levar a sociedade a seguir um comportamento e por isso fizeram de tudo para alcançá-lo (nem sempre pelos melhores métodos) como a história dos soldados e pobres, a quem lhes fizeram acreditar que margarina era mais saudável do que a manteiga

Neste artigo quero desvendar outra história mal contada ou “a outra face da moeda”, sobre a pílula contraceptiva. Se os homens pensam que este artigo não é para eles enganam-se porque quando a tua mulher toma a pílula ela não é a mesma do que sem a tomar, a vários níveis. Eu já escrevi sobre a pílula no artigo – Como não engravidei naturalmente, sem a pílula nem outro contraceptivo.

A pílula veio para a sociedade como um milagre para as mulheres. Veio-lhes dar emancipação, principalmente a nível sexual pois é um método contraceptivo fácil e bastante confiável. Muitas feministas lutaram incansavelmente para propagar o seu uso e assim tornar o seu papel na sociedade mais parecido com os homens. Elas viram a chegada da pílula como uma grande vitória, que as tornaria mais poderosas e sim, elas tem um grande legado pois ajudaram a sociedade como é hoje. Mas, será que a pílula foi criada realmente com intenção de ajudar as mulheres? Será que foi um ato humanitário?

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Desde tempos muito distantes existem relatos de métodos para não engravidar. Visto que a mulher pode gerar vida durante décadas, é de devida importância não ter décadas de filhos e por isso, já em 1850 antes de Cristo, no papyro de kahun existe receitas de métodos contraceptivos. Naquele tempo um dos métodos era inserir na vagina mel, algodão e acácia (existem várias plantas com propriedades que matam o esperma). Também na bíblia a história de Onan e Tamar fala do método de ejacular fora da mulher (este método requer muito auto controlo e auto responsabilidade).

No entanto, quero neste artigo falar sobre a história da pílula que é um contraceptivo completamente diferente dos acima referidos – é um contraceptivo hormonal.

O que é um contraceptivo hormonal?

Primeiro que tudo é uma droga, um medicamento. Não estou a exagerar ou a “favorecer alguma teoria da conspiração”. Medicamentos em inglês é drugs ( = drogas).  A única diferença aqui é que a pílula é o único medicamento que uma pessoa toma quando está saudável.
Porque é o método contraceptivo hormonal uma droga? Ele tem ingredientes que fazem alterar as nossas hormonas. E…

As hormonas são como os sinaleiros dentro do nosso corpo. Um método contraceptivo hormonal trabalha diretamente no nosso sistema endócrino, alterando de alguma forma as hormonas. As principais hormonas do processo do ciclo menstrual são a progesterona, estrogénio e testosterona e os dois locais físicos cruciais para estas hormonas são os próprios óprgãos reprodutores e a glândula pituitária.

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A glândula pituitária encontra-se quase atrás do nariz, junto ao hipotálamo e ela é responsável pela hormona que estimula o processo para que o ovulo possa sair do ovário. A glândula pituitária também é responsável pelo desenvolvimento de hormonas que estimulam a atividade da tiroide e das adrenais e é também ela que produz as hormonas de crescimento. Em suma, ela e o hipotálamo são como que os capitães das reações hormonais.

Não quero tornar o artigo técnico, mas é importante saber qual a importância desta glândula pois ela é uma das principais afetadas com a tomada da pílula.

Por ser um método contraceptivo hormonal, a pílula é invasiva no nosso sistema hormonal. Ela ainda influencia :

  • Níveis de energia;
  • Memória e concentração;
  • Coordenação motora;
  • Níveis de Adrenalina;
  • Limites de dor;
  • Retenção das Vitaminas;
  • Níveis de glucose no sangue;
  • Função da tiroide e adrenais;
  • Padrões do sono;
  • Temperatura corporal;
  • Cor e textura da pele;
  • Ritmo metabólico;
  • Perspicácia visual, auditiva e olfativa;
  • Concentração das vitaminas;
  • Sistema imunitário;
  • Flora intestinal. 

Eu tomei por 6 anos.

 

Breve contexto histórico sobre o ciclo menstrual

Ainda antes de contar a história da pílula, é importante perceber porque as mulheres aceitaram algo que lhes causavam tantas alterações. 

Os motivos são os seguinte:

O caminho das mulheres pela sociedade tem-se feito ao longo dos tempos com altos e baixos. Sabe-se de mulheres com muito poder em tempos muito antigos como por exemplo a rainha céltica Boadiceia (50 depois de Cristo) que liderou as tropas contra os romanos. Sabe-se também que à 2 séculos atrás as mulheres eram vistas como desequilibradas por causa do seu ciclo menstrual. Por mais ridículo que isto pareça, aconteceu. Mulheres eram tomadas em algumas sociedades (europa) como não confiáveis para política porque o seu temperamento variava de semana a semana. Outro acontecimento era que as mulheres não podiam trabalhar em certos cargos porque a menstruação não lhes permitia. Tanto isto é verdade que a palavra histeria vem da palavra grega ὑστέρα (hystera) que significa útero. A civilização grega era uma sociedade que portanto não confiava nas mulheres e pois bem, achava-as histéricas devido às alterações hormonais “causadas” pelo útero.

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Boudicca 

Este factos fizeram com que a mulher se senti-se aparte da sociedade e tudo por causa do ciclo menstrual. As pessoas literalmente achavam que era uma doença e não uma benção (poder gerar vida é uma benção). Este era um dos motivos psicológicos pelo qual as mulheres queriam “curar o seu mal”.

Outro motivo, devia-se às sucessivas gravidezes e a todo o trabalho que elas geram. As pessoas não eram informadas sobre como evitar a gravidez e, como a taxa de mortalidade infantil e a expectativa de vida eram muito baixas havia realmente necessidade de ter-se mais filhos. Na verdade, a maioria das mulheres tinha abortos ou crianças que morriam nos primeiros anos de vida (ambas as minhas avós passaram por isto) e, apesar de ser “normal” na altura, deixa sempre marcas uma mãe perder o filho. Havia até campanhas a dizer que as pessoas eram pobres por terem muitos filhos e havia um grande incentivo a não ter filhos na altura. Campanhas como:

“Na minha visão, eu acredito que não deve haver mais bebes”
–Margaret Sanger , 1947

O outro motivo, o terceiro e último virá no próximo artigo mas aviso que a invenção da pílula tem mais de negócio, dinheiro e machismo por trás do que muita gente pensa.

@Ana

Algumas fontes:
Grigg-Spall, Holly – Sweetening the pill: Or How we got hooked on Hormonal Birth Control2013 ;
Letter from Barbara Seaman to Senator Gaylor Nelson, September 23, 1969;

 

 

 

 

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