Pele e o tacto é o quarto sentido da série:Os 5 sentidos . A pele é o maior órgão que temos, cobre todo o nosso ser, usa mais ou menos 15% do nosso peso corporal e tem biliões de células sensoriais. É constituída por camadas e é um bom diagnóstico para conhecer a saúde do nosso interior (dou-lhe muita importância).

“A nossa pele age como barreira protetora entre os sistemas internos do nosso corpo e o mundo exterior. A sua habilidade para compreender o toque(tacto) dá ao nosso cérebro informação saudável sobre o ambiente que nos rodeia, como temperatura, dor e pressão. Sem o sentido do tacto, seria muito difícil estar no mundo! Não poderíamos sentir pisar o chão enquanto caminhamos, não sentiríamos quando nos cortamos, nem o Sol quente em nossa pele. É espetacular quanta informação recebemos do mundo através do sentido do toque e ainda assim não sabemos tudo sobre como a pele é capaz de o fazer.” – Homescience.com/skin-toch

  O órgão da nossa pele é, resumidamente composto por três camadas. A epiderme, derme e o tecido adiposo ou subcutâneo. A epiderme (epi em latim significa “de cima” ) é a primeira camada a proteger-nos e é constituída maioritariamente por células mortas, poros e células receptores do sentido. A derme,segunda camada é onde a produção de novas células acontece, onde nascem os cabelos e tem muitas muitas células sensoriais. A última camada é de gordura e serve para o nosso sistema de termo-regulação, protegendo o corpo quando a epiderme e derme sofrem queimaduras.

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 O sentido de “sentir as coisas” é tão importante que engloba um sistema chamado somatosensorial (subsistema do sistema nervoso sensorial) que é o sistema que recebe informação do exterior e leva a informação até ao cérebro. Células sensorias tem nomes distintos consoante a sua posição, forma, tipo de estímulo que recebem, tamanho e se recebe o estimulo rápido ou não. Exemplo destas células são os corpúsculos de Meissner, Corpúsculo de Pacini, Discos de Merkel. São mecanorecetores que, como o nome indica respondem a pressões ou outro estimulo mecânico. O corpúsculo de Paccini é como uma cebola com muitas camadas (imagem seguinte), sente as vibrações e encontra-se na derme.

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 Já os discos de Merkel e corpúsculos de Meissner funcionam ao nível de deformação, ou seja, estão na epiderme e derme e à medida que existe uma deformação na pele o sensor é também deformado e assim sentimos.

 O nosso sistema somatosensorial não tem só mecanorecetores, tem também recetores de dor, recetores de temperatura e cinestesia (dão-nos a perceção de sentirmos o nosso próprio corpo).

 Na década de 30 um neurocirurgião de nome Wilder Penfield aproveitou o fato de fazer muitas operações cerebrais e, numa de ajudar e desvendar a doença da epilepsia fez testes para saber como o nosso cérebro vê o resto do corpo. Da descoberta/estudo ele criou um boneco chamado homúnculo que vos mostro a seguir.

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 Desformado? Não. A importância que o nosso cérebro dá às nossas mãos, bocas, genitais é superior à que dá às nossas pernas ou braços. Afinal são neste que existem mais células sensoriais. Das nossas pernas precisamos de saber onde estão, se não se queimam ou congelam, mas não temos tanta sensibilidade nelas e não recebemos muita informação delas. As nossas bochechas ocupam maior espaço no cérebro que o nosso joelho. Agora sabemos que o local associado no cérebro onde a informação sensorial é lida e processada é no córtex somatosensorial primário. Este está muito próximo da parte cerebral responsável pelo nosso mover (motora). Foi Wilder Penfield que nos ajudou a ter esta informação tão útil sobre o nosso órgão cerebral.

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 Como em todos os artigos desta série costumo falar um pouco sobre a anatomia e depois em algo sobre o tema que não seja anatomia. É verdade que desta vez alonguei um pouco a parte da anatomia. Acho que fiquei inspirada.

2a Parte

  Alodinia é um problema que causa sensibilidade extrema na pele. Está normalmente associada a problemas no sistema nervoso e ao sentido em questão. É um sintoma, muitas vezes considerado doença e para estas pessoas até pentear o cabelo pode ser um horror. Pode ser um sintoma de fibromialgia, enxaqueca, diabetes, deficiências nutricionais, dor crónica etc. Dores do sistema nervoso são das dores (dizem!) mais difíceis de suportar e não há um tratamento rápido. Existe medicação mas que apenas alivia.

 Eu acredito que o que muita vez chamamos de crónico é alterável, como já disse sobre a visão no artigo onde apresento a técnica de bates. Também o meu namorado conseguiu reverter uma coluna torta para uma direita.

 A alodínia é causada porque o nosso sistema nervoso recebe um estimulo superior ao que é suposto. Se eu tivesse alodinia, escrever este artigo seria doloroso. Mas, o que faz com que o nosso sistema nervoso adoeça? Por ser um sintoma pode ter muitas causas, muitos pequenos fogos dentro de nós e é por isto que é tanta vez difícil achar a causa. Uma abordagem holística é a melhor abordagem de ficar sem dores e resolver o problema a longo prazo. Lembram-se o Dr.House? Ele conseguia descobrir doenças por pensar coisas que parecia não ter nada a ver com o que parecia ser a doença. Uma coisa é certa, o sistema nervoso está em chamas!

 O nosso sistema nervoso engloba o sistema nervoso autónomo que é basicamente tudo o que o nosso corpo faz sem que pensemos, como digerir os alimentos ou produzir espermatozoides. Dentro do sistema autónomo existe o sistema nervoso simpático e parassimpático.

 1-Sistema parassimpático – Yin – PH básico – Baixo nível de cortisol – Paz/Relaxamento

 2-Sistema simpático – Yang – PH ácido – Alto nível de cortisol – Stress/Atividade

 Repararam que meti Stress/Atividade? Porque só stress levar-vos-ia a conetar logo ao negativo e não é isso que quero. Há stress bom, um dia falo-vos disso, mas, é o desequilíbrio entre 1 e 2 que é o problema. Na alodinia, há uma hipersensibilidade e o sistema simpático está a dominar. Muito tempo stressados, um corpo sem o devido descanso, sempre a necessitar de estar alerta são hábitos que levam a este desequilíbrio. 

 Para deixar de sentir dor ao toque é preciso reequilibrar o corpo e, restaurar o sistema nervoso. Começo a achar que tratando um problema, trata-se todos os outros. O foco deve estar em acalmar, bons hábitos alimentares e fortalecer o corpo. Além disto, que todos precisamos fazer com ou sem alodinia, existem técnicas e terapias que ajudam a parar e alíviar essas dores. 

 O importante é acalmar o sistema nervoso simpático. Para isso é importantíssimo parar com a cafeína. Se, para algumas pessoas o café moderado é uma opção, para pessoas com alodinia não é. O café estimula o sistema nervoso, vai causar ainda mais dor. Acabei de dizer algo a não fazer mas, o que se deve fazer? Isto pode depender de pessoa para pessoa por isso a auto-avaliação com ajuda de um especialista é uma boa opção. Para mim pode-me acalmar um banho de imersão e para ti pode ser uma caminhada à beira mar. Relaxar (Aumentar a actividade do sistema parassimpático). Acupunctura. Exercício físico de baixa intensidade. Massagens. Aromaterapia.

 O equilíbrio entre estes dois sistemas é tão importante e delicado que, o simples posicionamento postural beneficia um ou outro. A respiração também. Enquanto que respirar de peito estimula o simpático, respirar desde a zona genital até ao peito já utiliza os dois (simpático e parassimpático) – Se quiserem aprender a técnica de como respirar deste modo – Vídeo 

 Parar de tentar fazer várias coisas ao mesmo tempo, focar-se numa única tarefa baixa o nível de stress. Se, a dor advêm de estímulos sensoriais quantos menos estímulos melhor, o sistema nervoso pode regularizar a leitura, acalmar.

 Outra técnica de relaxar e que estimula o sistema parassimpático é mexer nos lábios. Não vou dizer-vos que, se tiverem cheios de dores e mexerem nos lábios passa como milagre mas, relaxa. Experimentem! Eu, pessoalmente sinto a minha energia feminina aumentar, sabe muito bem. É como que um pequeno truque para ajudar e adicionar a tudo escrito acima.

 Uma última técnica: Pensar e sentir, neste momento a sensação do corpo. Ou seja, dar atenção ao sentido do tacto. O teu corpo sobre a cadeira, as costas, a saliva dentro da boca, o pestanejar, a temperatura.

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 Este problema não aparece do nada e, precisamos que dar atenção ao nosso corpo e dar-lhe o que ele quer e precisa, afinal, não vivemos sem ele. É o nosso tempo, a nossa casa.

 Relembro que eu não sou médica e que a minha forma de escrever sobre o assunto é do que estudo. A informação pode não ser completa mas está correta pois leio, releio e averiguo. Antes de escrever sobre algo eu procuro por motivos de não ser assim e assim ter a certeza que é como estou a escrever. Esforço-me para vos dar a melhor informação porque penso que isso importa. Hoje em dia a informação precisa ser pensada, filtrada, testada e precisamos de buscar fontes confiáveis. Qualquer pessoa pode escrever na internet mas empenho-me para escrever o certo. Por vocês e por mim. E para que sejamos activos sobre a nossa vida.

Morgan-Freeman

 @Ana

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